terça-feira, 14 de julho de 2009

Primeiro, não queremos perder

É lógico que não queremos perder.
Não deveríamos ter de perder nada.
Nem saúde, nem afetos, nem pessoas amadas.
Mas a realidade é outra coisa.

Segundo: perder dói mesmo.
Não há como não sofrer.
É tolice dizer não sofra, não chore.
A dor é importante.
O luto também.

Terceiro: precisamos de recursos internos para enfrentar a tragédia e a dor.
A força decisiva terá de vir de nós, de onde foi depositada a nossa bagagem.
Lidar com a perda vai depender do que encontrarmos ali.

A tragédia faz emergir forças inimagináveis em algumas pessoas.
Por mais devorador que seja, o mesmo sentimento que derruba faz voltar a crescer.

Quando é hora de sofrer não temos de pedir licença para sentir e esgotar a dor.
O luto é necessário ou a dor ficará soterrada,
Seu fogo queimando nossas ultimas reservas de vitalidade e fechando todas as saídas.

Aprendi que a melhor homenagem que posso fazer a quem se foi é viver como ele gostaria que eu vivesse.
Bem, integralmente, saudávelmente, com alegrias possíveis e projetos até impossíveis.

Autora: Lya Luft

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